Reforma: uma questão demográfica

Publicado em Básicos, Reforma Por SaldoPositivo - 03 de Novembro de 2009

O primeiro sistema de Segurança Social foi criado na Alemanha por Otto von Bismarck em 1889. Na altura, o “chanceler de ferro”, fixou os 70 anos como idade obrigatória de reforma, uma medida que assegurava a sustentabilidade do sistema, uma vez que a esperança média de vida rondava os 45 anos.

O aumento da esperança de vida é a principal pressão sobre a Segurança Social

O aumento da esperança de vida é a principal pressão sobre a Segurança Social

Hoje, passados quase 120 anos sobre a criação da Segurança Social, o problema é bem diferente. A questão é que as pessoas vivem cada vez mais tempo. Até há pouco tempo atrás, depois da reforma, as pessoas viviam 15 anos, actualmente podem esperar viver mais 25. O desafio é como financiar esse dez anos extra. Apesar do aumento da esperança média de vida ser um dos progressos mais importantes das sociedades contemporâneas, é extremamente prejudicial para o actual sistema de Segurança Social.

É interessante pensar que o dinheiro que desconta todos os meses para a Segurança Social fica guardado num cofre à espera do dia em que finalmente chegue aos 65 anos para começar a recebê-lo. Mas não é bem isso que se passa.

O sistema português é um sistema pay-as-you-go, o que na prática significa que os seus descontos servem para pagar as reformas dos seus pais e avós, tendo esperança que sejam os seus filhos a pagar a sua. As coisas complicam-se quando não há número suficiente de filhos para “alimentar” as reformas dos pais e avós. E é precisamente essa a tendência na população portuguesa.

De acordo com os dados do “Livro Branco da Segurança Social”, em 1990 existiam praticamente cinco pessoas a descontar por cada reformado. Em 2010, esse valor descerá para quatro e, em 2035, estima-se que existam apenas 2,5 pessoas no activo por cada reformado.

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