Com o Banco Central Europeu a subir os juros de referência para 1,5 por cento, a tendência dos juros praticados no mercado interbancário tem sido de subida. A taxa Euribor que na primeira sessão do ano estava nos 1,001 por cento e 1,224 por cento, a 3 e a 6 meses, está actualmente nos 1,583 e nos 1,823 por cento, respectivamente.
Para quem tem créditos indexados à taxa Euribor, os efeitos pesam nas prestações, normalmente calculadas segundo a média mensal do indexante, mas para que tem poupanças são boas notícias. Recorde-se o ano de 2008, quando os juros ultrapassaram os 5 por cento penalizando quem estava com empréstimos por pagar, mas beneficiaram quem tinha algum dinheiro para aforrar, já que a média dos juros praticados nos novos depósitos chegou aos 4,66 por cento, segundo os dados do Banco de Portugal.
Para não ser apanhado desprevenido pela subida dos juros saiba o que pode esperar se estiver a pagar um empréstimo e mantenha finanças de “aço”.
Poupar ou amortizar
Antes de partir para a contratação de um empréstimo convém perceber o impacto que a subida de 1 ponto percentual nos juros faz à sua prestação. Lembre-se da regra de segurança das suas finanças pessoais que indica que as prestações com créditos não devem representar mais de 1/3 do seu rendimento disponível mensal.
Assim, se tem hoje um empréstimo indexado à Euribor comece a preparar a receita para juros altos:
- Imagine que a prestação de empréstimo da sua casa subia 10 por cento e simule a sua disponibilidade financeira com esse montante. Se quiser ser mais cauteloso, crie também um cenário com prestações 20 por cento acima do valor actual.
- Elabore um orçamento familiar que reúna os gastos de todo o agregado e planeie cortes que podem levar a compensar as subidas das prestações testadas. Se tiver poupanças a render juros mais baixos do que paga actualmente pelo seu crédito (um dos erros que podem prejudicar as suas finanças), equacione usar parte desse dinheiro para amortizar o crédito e para voltar colocar a prestação num valor mais comportável.
- Se não consegue cortar as suas despesas nem amortizar o crédito e tem um fundo de emergência (uma quantia de poupança aforrada em produtos facilmente resgatáveis e sem custos) que consegue cobrir pelo menos 6 meses de despesas correntes da sua família, actualize-o para um valor mais elevado, ajustado a uma prestação mais alta, como as simuladas no ponto 1.
- Mantenha o rigor financeiro mesmo que não se concretizem as subidas de juros. Assim, vai ter mais poupança e se relaxar fica exposto a potenciais ciclos de subida do preço do dinheiro.
Exemplo para uma família
Cenário inicial
Agregado familiar com rendimento disponível de 2000 euros e com despesas correntes mensais na ordem dos 1500 euros.
Fundo de emergência ideal 6*1500 = 9000 euros
Empréstimo à habitação
150 mil euros
Taxa Euribor
6 meses (1,823%)
Spread
1%
Prazo
30 anos
Prestação actual
615,32 euros
Cenário com subida dos juros (Euribor) de 1 ponto percentual
Prestação nova
695,32 euros
Protecção
Ajustamento ao fundo de emergência de 480 euros ou corte de despesas mensais na ordem dos 80 euros
Cenário com subida dos juros (Euribor) de 2 pontos percentuais
Prestação nova
779,72 euros
Protecção
Ajustamento ao fundo de emergência de 986 euros ou corte de despesas mensais na ordem dos 164 euros




