Sabe o que quer dizer rating? Ou o que significa que Portugal sofreu um corte no rating? Embora os conceitos técnicos possam deixar de fora muitos portugueses, na prática a palavra rating e as agências que os emitem podem afectar o bolso de muitas famílias. As agências de notação financeira (rating), são tema de conversa, sobretudo devido aos cortes nas notações de risco de vários países da União Europeia nos últimos dias levado a cabo pela agência Standard & Poor’s, com destaque para a descida do rating de Portugal em dois níveis, para a categoria de “lixo”, e do rating de França que perdeu a classificação máxima na notação de risco, AAA. Mas qual poderá ser o impacto na vida pessoal, profissional ou até na carteira de cada português? O Saldo Positivo explica-lhe como funciona o rating.

As agências de rating têm dominado as conversas nos últimos tempos. Aprenda a compreendar qual impacto na sua vida
O que é o rating?
O rating ou notação de risco consiste numa classificação através de uma nota que indica a capacidade de um emitente de dívida (contrai um empréstimo junto do mercado) pública ou empresarial cumprir com os pagamentos (ver “Como perceber a tabela do rating“).
O que fazem as agências de notação financeira?
As agências de notação financeira são companhias cujo trabalho é simples de explicar: funcionam como uma terceira parte independente que avalia o risco de crédito de uma entidade, atribuindo uma notação de risco (rating). Ou seja, em vez de ser a própria empresa ou Estado a definir o seu risco de crédito (capacidade de pagar a sua dívida), existe uma companhia independente que faz isso, separando os bons dos maus pagadores.
No fundo, se um país emite dívida pública ou uma empresa emite obrigações, a agência de rating atribui uma nota ao risco que existe desse emitente cumprir com a sua dívida.
As principais agências de notação financeira são as norte-americanas Moody’s, Standard & Poor’s e a Fitch.
Como está Portugal
Apesar de cada agência de notação financeira apresentar diferentes níveis de classificação, em termos práticos, o significado é o mesmo. O rating da República Portuguesa de longo prazo está agora ao nível de junk (Ba2) para a Moody’s enquanto a Standard & Poor’s classifica Portugal na mesma categoria de investimento, com BB, e a Fitch como BB+, abaixo de investment grade, classificação que significa dívida não especulativa.Todas as principais companhias de rating mantêm um outlook negativo, o que indica o sentimento dessas empresas quanto à tendência da qualidade da dívida soberana lusa.
Veja a tabela de rating que é utilizada para classificar as dívidas.
Problemas para os particulares e empresas
Tal como o Estado, muitas vezes os bancos de um país visado por um corte de rating na sua dívida soberana sofrem o mesmo destino assistindo à descida da sua notação de risco correspondente, como aconteceu no passado. Os cortes nas notações de risco levam normalmente os bancos a financiarem-se nos mercados financeiros internacionais com condições mais adversas, sobretudo com juros mais elevados. As consequências podem sentir-se tanto nas famílias como nas empresas, através do pagamento de juros mais elevados quando procurarem crédito bancário, o que poderá reflectir-se numa restrição de crédito por parte das instituições financeiras.
Nos últimos meses, tem-se assistido à subida dos spreads (margem acima do juro no mercado interbancário) nos créditos, cenário que ilustra uma situação de rating mais baixo.
Rating de outros países
Os países que apresentam dívida de topo são países que não apresentam, praticamente, risco de crédito. Alguns desses países são a Noruega, a Suíça, a Suécia, entre outros. No nível seguinte, ou seja, dívida de alta qualidade, encontramos países como a Bélgica ou o Japão. No nível seguinte, encontramos estados com dívida de qualidade média alta, como, por exemplo, a República Checa e a Estónia. Já nos níveis acima de dívida especulativa (junk), os três “B”, encontramos países como Itália e Irlanda. Nos níveis do rating português estão países como, por exemplo, Angola.
Como perceber a tabela do rating
A tabela das notações financeiras é fácil de perceber. Quanto mais baixo se está no ranking, mais os juros aumentam e se tornam insuportáveis para quem paga.
Olhando para a tabela em baixo, verifica-se que existem 4 grandes níveis (A, B, C e D). Na parte de cima da tabela, estão os países mais seguros ou com notas médias-altas.
A parte da tabela que tem a letra B, pode ser dividida entre a de qualidade e a de fraca qualidade. Existe apenas um nível, dentro da letra B em que a notação de risco de crédito se enquadra nos níveis de qualidade. Desse nível para baixo, todas as notas significam uma situação altamente especulativa no que toca à qualidade do emitente de dívida. Ou seja, existe um risco maior de o país ou empresa entram em incumprimento com as suas obrigações.
Chegando ao nível C, o país está praticamente na bancarrota e torna-se um investimento sem interesse para os investidores. A letra D, confirma a falência do país.
Moody's Standard & Poor's Fitch Significado
Aaa AAA AAA Topo
Aa AA AA Alta Qualidade
A A A Qualidade Média-Alta
Baa BBB BBB Qualidade Média
Ba BB BB Muito especulativo
B B B Especulativo
Caa CCC CCC Próximo de falência
C C C Sem interesse
D D Falência




Percebi o artigo.
No entanto,deveria ser publicado um documento semelhante sobre a problemática da criação de moeda:
quem – quais os organismos responsaveis
como – qual é a base legal, o fundamento para a criação de moeda
quanto – quais os condicionalismos existentes inibidaroes da criação