De acordo com o Eurobarómetro divulgado em Maio, 31,7 por cento dos jovens portugueses estão disponíveis para trabalhar no estrangeiro por um período limitado de tempo, enquanto 25 por cento estão disponíveis para trabalhar e viver no estrangeiro num período longo. O que significa que um total de 56,7 por cento dos jovens portugueses estão preparados para fazer as malas e ir trabalhar para o estrangeiro. Além destes, alguns já conhecem a realidade estrangeira já que 13,4 por cento dos jovens portugueses inquiridos já estiveram ou encontram-se actualmente fora do país por motivos de estudo ou formação.
A pedido da Direcção Geral da Educação e da Cultura europeia foi realizado um mega-inquérito a nível europeu, que envolveu a realização de 30 mil inquéritos a jovens europeus sobre temáticas várias agrupadas no tema “juventude em movimento”. Este inquérito foi solicitado tendo como objectivo analisar os comportamentos dos jovens no passado e a disponibilidade dos mesmos para alterações no seu estilo de vida.
As respostas dos portugueses entre os 15 e os 35 anos, nas 1005 entrevistas telefónicas realizadas, mostram que mudar estilos de vida não é problema, a mesma tendência declarada por outros jovens europeus. Embora não estejam disponíveis os dados das diferentes idades por país, verifica-se que os europeus entre os 15 e os 19 anos são os mais dispostos a trabalhar noutro país, tanto no curto/médio como no longo prazo, ao contrário dos europeus com idade compreendida entre os 30 e os 35 anos, a única idade das estudadas pelo Eurobarómetro em que a percentagem de respostas de indisponibilidade para trabalhar no estrangeiro é superior à percentagem de disponibilidade.
Um retrato da juventude portuguesa
Curso=oportunidades de emprego
A razão mais importante para frequentar cursos universitários ou formações pelos jovens lusos é a melhoria das perspectivas de arranjar emprego, resposta de 34 por cento dos inquiridos, que deixa em segundo lugar a aquisição de conhecimentos e experiência prática, resposta de um quarto dos participantes do estudo. Para 72,4 por cento dos jovens portugueses, um curso universitário é uma opção atractiva para as gerações mais jovens, um valor elevado, mas que no entanto é inferior à média da União Europeia de 74,1 por cento.
Dinheiro do próprio bolso
Neste estudo foi também questionada a principal fonte do dinheiro gasto na maior deslocação e estadia que efectuaram ao estrangeiro, sendo que 52,5 por cento do dinheiro usado pelos portugueses teve origem em fundos privados, poupanças ou outros, um valor inferior à média de 65,7 por cento da União Europeia. A percentagem de dinheiro gasto fornecido pelos programas europeus, como Erasmus ou por programas de empréstimos nacional ou regional, atingiu os 18,7 por cento de cada fatia de ajuda, valores superiores à média nos dois casos.
Melhor conhecimento de outras culturas, melhoria de competências profissionais e das relações interpessoais são os principais trunfos que os portugueses que já trabalharam no estrangeiro apontam como mais-valias da experiência no exterior, enquanto 73,9 por cento dos inquiridos nunca tiveram a oportunidade de estadia no estrangeiro, 14 por cento dos quais por motivos financeiros.
Emprego difícil
Em relação ao mercado laboral, após terminar os estudos ou formações, as maiores dificuldades encontradas pelos jovens portugueses foram a falta de emprego na sua zona de residência e a falta de emprego na sua área de especialização. São estas as conclusões das respostas de mais de 30 por cento dos jovens. Quanto à possibilidade de começar um negócio próprio, 56,7 por cento dos inquiridos indicaram o seu interesse por o fazer.
As experiências de jovens portugueses no estrangeiro
Para Helena Novais e Carlos Santos, estudantes universitários que realizaram parte dos seus estudos na Alemanha e em Itália, respectivamente, a experiência foi bastante positiva. Helena Novais realça como pontos positivos ter aprendido a gerir melhor as suas finanças, a experimentação e adaptação a uma nova cultura e clima. Tudo isto “na cidade que oferece um dos melhores ensinos ao nível da Arquitectura Paisagista”. Para Carlos Santos a estadia no estrangeiro foi necessária, no seguimento do plano de doutoramento, realçando como pontos positivos a abertura de horizontes e o conhecer novas pessoas, apontando como ponto negativo “estar longe da família e dos amigos”.
Se estudar “fora” é uma experiência enriquecedora para muitos portugueses, trabalhar pode aliar um retorno financeiro à equação. Rodolfo Patrício e Tiago Seco são dois jovens portugueses que estão a trabalhar na Dinamarca. Para Tiago Seco a sua actividade profissional, informática, foi o principal motivo para emigrar, realçando como aspectos positivos principais a cultura de trabalho existente na Dinamarca e o aspecto monetário. Como aspectos negativos destaca as “saudades da família, amigos e… comida”, realçando que “aparentemente a Dinamarca não tem o conceito de ter prazer à mesa tão entranhado na sua cultura como nós”.
Em relação a Rodolfo Patrício, embora tenha tido sempre interesse em ir para o estrangeiro, essa decisão foi ajudada pelo facto de namorar com uma dinamarquesa. O jovem português destaca a experiência no estrangeiro indicando que leva a um crescimento e evolução superior à verificada no país natal. Além disso, revela outro pontos positivos: a aprendizagem de uma língua nova, a possibilidade de “experimentar coisas diferentes que se calhar não teria coragem de fazer” em Portugal. Os pontos negativos passam pela comida local, as dificuldades pontuais de comunicação e o estar longe da família e dos amigos. Rodolfo remata que “a experiência é brutal. Eu acho que toda a gente devia experimentar viver no estrangeiro durante um tempo”.




