Mais do que dar conselhos, dicas ou sugestões, é importante conhecer a experiência e os desafios financeiros diários das famílias.
O Saldo Positivo entrevistou três casais que falam sem tabus sobre dinheiro e como gerem o seu rendimento. Apesar de pertencerem a gerações diferentes, constituem três testemunhos vivos de como as questões financeiras não têm de ser motivo de discussão numa vida a dois. Pelo contrário, podem ser uma porta de entrada para a concretização de projectos conjuntos.
Como diz Pedro Queiroga Carrilho, autor do livro O Primeiro Milhão para Casais, “casais felizes conversam sobre dinheiro”. Aqui estão três exemplos desta constatação e que mostram que cada casal tem a sua maneira de lidar com o dinheiro e seguir a sua vida financeira, um dos pilares de uma relação sólida a dois.
Objectivo: habitação
A Iola Maria e o Hélder Moura têm 32 anos, são de Paços de Ferreira, ainda não planeiam ter filhos, mas poupar para realizarem os seus sonhos é a palavra de ordem na vida dos dois. Já pouparam para mobilar o apartamento onde viviam anteriormente, já pouparam para umas férias, já pouparam para o casamento e agora poupam para a construção da habitação onde agora vivem. Optam por ter contas conjuntas, visto que os objectivos são comuns e a diferença entre o rendimento mensal entre ambos não constitui nenhum entrave para que sejam um casal próspero financeiramente.
Qual o rendimento mensal de ambos?
1700 euros.
As contas bancárias são separadas ou conjuntas?
As contas são conjuntas uma vez que vivemos os dois para uma vida em comum. Contudo, temos cada um uma conta individual que vem desde o tempo em que éramos solteiros. Actualmente são contas que servem apenas para gestão financeira familiar.
Quais as vossas maiores despesas?
Não temos nenhuma despesa que se destaque pois estamos a acabar de construir habitação própria e grande parte do dinheiro acumulado é direccionado para a habitação. Não temos vícios nem temos hábitos dispendiosos. Contudo, até ao final deste ano, a nossa maior despesa será a mensalidade do crédito habitação.
Estão a organizar as vossas finanças no sentido de terem um filho nos próximos tempos?
Não. Ainda não fazemos planos para termos filhos. As nossas finanças estão organizadas para podermos gozar a vida ao nosso estilo. Quando decidirmos ter um filho, teremos de as adaptar.
Como efectuam as vossas poupanças?
Antes desta fase da nossa vida em que estamos a construir habitação própria e pelo facto de, como já foi dito atrás, não termos uma vida dispendiosa, juntávamos dinheiro porque sobrava. Em tempos chegámos a investir num depósito a prazo mensal durante quase um ano e meio. Neste momento, quase todo o nosso orçamento é direccionado para finalizar a nossa habitação.
Com que objectivos poupam?
Já poupámos para equiparmos ou mobilarmos um apartamento onde já vivemos, depois poupámos para o nosso casamento, já poupámos para umas férias e, mais recentemente, poupamos para construção de uma habitação. Num futuro próximo, as poupanças serão para continuar a mobilar a habitação.
Como lidam com as diferenças entre rendimentos?
De forma natural e sem complexos. Ambos estamos a investir numa relação a dois, logo estamos a trabalhar para um objectivo comum. Todos os ganhos são para os dois usufruírem.
Como dividem as despesas? Pagam tudo a meias?
Nós não dividimos despesas, uma vez que utilizamos uma conta conjunta. Sendo uma despesa comum, o pagamento também é comum. Temos também alguma margem financeira para despesas individuais que tentamos que sejam o mais equilibradas possível.
Poupar sem risco
O Rui e a Raquel Bairrada são pais de duas filhas em idade escolar, e ainda não sentiram os efeitos da crise porque ganham um rendimento acima da média. Por enquanto, não poupam para a reforma, mas os depósitos a prazo e os certificados de aforro são os produtos de eleição para onde canalizam as suas poupanças.
Qual o rendimento mensal de ambos?
7.500 euros.
As contas bancárias são separadas ou conjuntas?
As contas são separadas e temos uma conjunta. Achamos que é mais fácil gerir o orçamento assim.
Costumam realizar um orçamento familiar todos os meses?
Nem por isso, só de vez em quanto…
Quais as vossas maiores despesas?
Escola das crianças e empréstimo da casa.
Em termos médios mensais, quanto gastam com a educação dos filhos?
Cerca de 650 euros.
Sobra dinheiro para actividades extra-curriculares e momentos de lazer nos dias de descanso?
Felizmente sim.
Estão a poupar para a universidade dos vossos filhos ou é algo que decidirão no momento mediante as escolhas deles?
Ainda não, mas é algo que pensamos fazer.
Estão a planear a vossa reforma?
Não.
Têm algum seguro?
Não.
Quais as maiores dificuldades que têm sentido com a crise?
Felizmente ainda não sentimos a crise mas temos a certeza que vamos começar a sentir.
Em que produtos, se é que o fazem, depositam as vossas poupanças?
Certificados de aforro, depósitos a prazo e imobiliário.
Descanso na reforma
Fernando e Maria Conceição Neves têm dois filhos e uma neta. Sempre procuraram gerir bem as despesas móveis e fixas, pois reconhecem que é a única forma de conseguirem poupar algo e acautelarem-se do futuro. A boa gestão dos rendimentos permite-lhes agora gozarem a reforma com tranquilidade, cujo o tempo livre é repartido entre a universidade sénior, actividade laboral complementar, sem descurarem os momentos de lazer.
Qual o rendimento mensal de ambos?
Cerca de 2.500 euros.
Agora que os vossos filhos já concluíram os estudos, como gozam a vossa reforma?
Repartida entre o estudo (universidade sénior), na actividade laboral complementar e passeio/divertimento.
Continuam a apoiar os vossos filhos, ou neste momento é a situação inversa?
Não. Não tem sido necessário esse apoio quer da nossa parte quer dos filhos.
Os encargos com a saúde são maiores nesta fase da vossa vida?
Não temos sentido esse problema porque a saúde felizmente, está num plano estável.
O que pesa mais no vosso orçamento?
Os encargos com a energia eléctrica, gás, alimentação, TV/Net/Telefone e a prestação da casa.
Resta dinheiro para poupanças?
Tem que se gerir bem para se poupar algo.
Ao longo da vossa vida sempre realizaram um orçamento mensal ou era algo decidido no momento em que as despesas surgiam?
Sempre esteve presente a necessidade de gerir as despesas fixas e móveis.
Quais as maiores dificuldades que têm sentido com a crise que o país atravessa?
O agravamento dos custos com a alimentação, combustível, energia e gás.
Sentem que hoje as dificuldades dos jovens são maiores do que no vosso tempo?
As solicitações são diferentes das do meu tempo. Dificuldades também a nossa juventude as sentiu, mas havia mais estabilidade no plano de trabalho e na procura e oferta de emprego comparada com a de hoje.




