Casos de empreendedorismo académico

Publicado em Empreendedorismo, Trabalho Por SaldoPositivo - 27 de Março de 2011

 

Empresa de mediação de obras

Um exemplo de empreendedorimo académico é a empresa Casa Viva, resultado de um projecto dedicado à mediação de obras formado por antigos alunos do Instituto Superior Técnico. Aos 30 anos, os engenheiros civis Guilherme Paiva e João Silva juntamente com o engenheiro informático Alexandre Brás decidiram constituir uma sociedade por quotas e aliarem o negócio da construção às novas tecnologias. Os conhecimentos técnicos e teóricos obtidos na faculdade, valeram-lhes a criação de uma “start-up” que se destaca pela execução de orçamentos a custo zero para os clientes que necessitam de fazer obras de remodelação de interiores, construção nova e recuperação de edifícios.

A pensar nos jovens que aspiram também a aventura de criarem o seu próprio emprego, os membros da Casa Viva partilharam com o Saldo Positivo um pouco da sua experiência.

De onde surgiu a ideia para a concepção do modelo de negócio?

A ideia de nos lançarmos na Casa Viva, nasceu de um pequeno “brain storming” à volta de uma mesa no Bar de Eng. Civil do Técnico. O negócio estava inicialmente pensado de maneira diferente, pois queríamos construir uma base de dados de empresas de construção civil. Entretanto, ao começarmos a trabalhar na ideia percebemos que esta não ia ao encontro das nossas expectativas e dos objectivos que queríamos para a Casa Viva. Mas o “bichinho” do empreedorismo já crescia dentro de nós e, como estávamos destemidos a avançar, não desistimos e ao fim de uma investigação mais profunda do mercado e amadurecimento das nossas ideias optámos por seguir o negócio de “Mediação de Obra”. A Mediação de Obra é uma actividade tipicamente comercial que consiste em estabelecer a ponte entre o cliente (particular ou empresa) que pretende fazer uma obra e os parceiros (empresas seleccionadas criteriosamente que realizam os trabalhos).Estamos certos que a fusão de competências de duas áreas distintas como é o caso da informática e engenharia civil são uma verdadeira mais-valia para este negócio. A Casa Viva possui um sistema informático que suporta todo o negócio da mediação de obra.

Que motivos vos levaram a constituir uma sociedade por quotas?

Procurámos iniciar um negócio onde não houvesse necessidade de grande investimento e onde todos tivéssemos igual poder de decisão no rumo da empresa. A sociedade por quotas foi a opção tomada uma vez que preenche estes requisitos.

Sentem que a conjuntura actual e a consequente contracção do sector da construção, constituem dois entraves à vossa actividade?

É curioso pensar que em Chinês, o símbolo que representa a “Crise” é composto pelo símbolo que representa a “Oportunidade”. Mas sim, sem dúvida que a conjuntura económica actual e a contracção do sector da construção são os grandes desafios para o sucesso da Casa Viva. Por outro lado, iniciar uma empresa em tempo de crise tem as suas vantagens. O sistema de gestão a montar tem ser eficiente e optimizado ao máximo, o que nos obriga a criar um negócio à “prova de bala”. Por outro lado, a elevada procura de emprego permite-nos contratar técnicos altamente qualificados a custos que uma ”start-up” de pouco investimento possa suportar.

Receberam algum apoio da universidade em termos de consultoria, financiamento, ou protecção da propriedade intelectual?

Ainda não recebemos qualquer tipo de apoio externo. Estamos a estudar a hipótese de nos candidatarmos a algum destes apoios, mas ainda não apresentámos nada em concreto. No entanto, estamos disponíveis a criar novas sinergias e parcerias com outras empresas que se identifiquem com o nosso negócio, com a nossa forma de pensar e trabalhar.

O aumento das restrições ao crédito habitação tem levado mais famílias a apostarem na recuperação das suas casas?

Sim, acreditamos que sim. Por esta razão acreditamos que esta é a altura certa para lançar a Casa Viva no mercado. O aumento nas restrições ao crédito habitação tem impacto tanto na compra de casa nova como na construção de raiz. No entanto, o mercado da remodelação e recuperação tem ganho dimensão. O facto de existirem benefícios fiscais do governo e apoio de algumas autarquias para a recuperação de imóveis também tem contribuído para esta alteração de atitude.

Como se diferenciam das restantes empresas concorrentes a actuar no mercado?

Na Casa Viva decidimos tomar o rumo de implementar uma abordagem mais técnica para a mediação da obra. Os técnicos da Casa Viva que vão a casa do cliente fazer o levantamento dos trabalhos, além das valências comerciais são enginheiros civis ou arquitectos com capacidade de discutir as melhores soluções técnicas com cliente. Por outro lado, esta estratégia permite minimizar o tempo investido pelo cliente na realização da obra, pois o cliente faz apenas um pedido e recebe apenas uma visita. Conseguimos também obter os melhores preços uma vez que o relatório da visita permite-nos fazer várias consultas às empresas certas num curto espaço de tempo. No final tudo se resume a um cliente mais satisfeito. O sistema informático que estamos a desenvolver está em constante aperfeiçoamento permite-nos aumentar a eficiência do nosso trabalho e fornece-nos as métricas necessárias ao planeamento de novas estratégias. Este sistema será o veículo mais importante para o lançamento do franchising. Mas mesmo após a criação do franchising manteremos a agência master pois acreditamos que esta terá um papel fundamental no aperfeiçoamento constante do modelo de negócio da Casa Viva e do sistema informático.

Outros empreendedores

Além da Casa Viva, mais jovens saídos da faculdade têm lançado ideias no mercado com sucesso. A partir das competências adquiridas no meio académico, comercializam a sua própria tecnologia e criam produtos inovadores de alto valor acrescentado, como é o caso da Priberam, uma empresa com o estatuto de “spin-off” do Instituto Superior Técnico. Na verdade, quem é que hoje em dia não recorre ao dicionário online Priberam para encontrar o significado de uma palavra? Já para não falar da Y Dreams, fundada no ano 2000 por investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Até hoje a empresa continua sediada no campus universitário da FCT, no Monte da Caparica. Porém, o desenvolvimento de produtos e serviços que utilizam tecnologia pioneira em áreas como computação, media interactivos, realidade aumentada e sensores biométricos, valeram-lhe a expansão da sua actividade para Austin no Texas (E.U.A.), Barcelona (Espanha), São Paulo e Rio de Janeiro (Brasil).

Quem sabe se o seu negócio também não poderá fazer história? Crie uma ideia inovadora e arrisque! Depois conte-nos como correu.

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